Eu cheguei a achar que seríamos assim, um eterno momento congelado, com os olhos fixados um no outro, com a boca seca da fala prolongada e com os sonhos fadigados das tentativas frustadas. Eu cheguei a achar que seríamos assim. Um com o outro. Mais que isso, por Deus, eu cheguei a acreditar que isso bastaria. Mas não, nunca seria suficiente, porque todos os dias de manhã, olharíamos um para o outro e nos perguntaríamos o que droga fizemos das nossas vidas. Nos culparíamos, nos xingaríamos e um dia, o amor se tornaria ódio. Não me culpe por desistir assim. Me agradeça, por notar a tempo que “um com outro” como éramos, jamais seria “um para o outro” como precisávamos. 

Rafael Amorim, for, F.E.

27/05/2012 @ 21:46

Não vale a pensa pensar muito — Concluía depois de fazer justo o que não recomendara — você sabe, eu poderia ter feito diferente. Quem não poderia? Aquele homem não atravessaria a rua justo naquela tarde de quinta, às 18 horas, 30 minutos e 11 segundos se soubesse que seria atropelado. Certamente se soubesse que acelerar o carro naqueles instantes seria tão crucial, o jovem na direção não teria o feito. Se imaginasse que seu filho na direção seria tão perigoso, quem sabe, o pai não teria permitido que ele pegasse o carro naquela tarde. Se, por algum motivo, todos eles soubessem do que aconteceria um segundo, dois minutos ou cinco horas depois, eles não teriam o feito. O que eu quero dizer é que, se por algum motivo, você quisesse ter feito diferente, não se maltrate tanto, não se culpe ao ponto de torna-se refém de si próprio. Depois de feito, 99 por cento não pode ser mudado, e 1 por cento, se tornará a suposição que você carregará pelo resto da vida. O que eu quero dizer, é que — Olhava para cima se embaralhando com as palavras que não saíam — as possibilidades, precisam ser pensadas antes e não depois. Culpar-se depois é mais doloroso do que prevenir-se antes.

Rafael Amorim.

19/05/2012 @ 16:46

E então eu fui embora, guardei nossas fotos num caderno antigo, tirei os quadros das paredes e deixei que toda aquela melancolia do momento falasse por mim. Pensei que ela fosse capaz, mas não era. Os dias foram passando, meu cabelo foi crescendo e meus olhos começaram a cansar de procurar o que não estava mais na minha frente. E eu, de algum lugar distante de você e ao mesmo tempo sobre a mesma lua no céu, desejei que aquela velha melancolia tivesse justificado. Agora eu sei, que ela jamais seria capaz de fazer isso. Só eu poderia te dizer que a saudade havia habitado mais que a casa, como também a mente. Dizer que o amor não diminuiu, só se inflamou. E que meus olhos, mesmo cansados, ainda vagam distantes procurando os seus. Só eu poderia dizer que queria voltar, reconstruir. Ou talvez, dizer com poucas palavras, que o meu lugar não era longe. Nem perto. Era dentro. E nenhum de nós conseguiu que continuasse assim.

— Rafael Amorim.

6/05/2012 @ 16:57

Por alguns momentos, quis reviver milhões de coisas. Sentir diversos gostos, desdes os mais doces, até os mais amargos. Andar pelos mesmos lugares e admirar as mesmas velhas coisas. Quis notar sua presença, seus gestos, seu cheiro. Por alguns momentos, quis que você fosse tudo em mim, a noite mal dormida, o beijo duradouro e as luzes que iluminam a madrugada. Mas depois descobri no que se tornara, enfim. Não restou tempo ou afago. Era só saudade, aquilo tudo, o tempo todo. Foi nisso que você se tornou, na saudade que citei várias vezes. Era tarde demais pra lamentar. Só bastava torcer pra que isso não ocupasse todo tempo perdido. Todo o tempo longe. Todo o tempo mudo. E que enfim, de onde quer que você esteja, também reste tempo, para que eu consiga me tornar o mesmo para você: um vazio, um silêncio, ou se preferir, só saudade.

— Rafael Amorim.

1/05/2012 @ 14:47

Eu fico pensando, será que os poucos momentos satisfatórios equivalem ao descontrole causado pelos mesmos? Ou então, será que é superável a angustia de se entregar a algo, em que não há correspondência? Não que eu nunca tenha feito nada disso, muito pelo contrário, já fiz demais, e agora fico estudando meu passado e tentando ver como seria meu presente sem esses rabiscos que eu borrei lá atrás. Viver algo é muito mais do que permitir que determinadas ações se realizem. É se envolver por completo, é oferecer tempo na rotina quase imperdoável, é entregar as peças do jogo mesmo antes de se decidir ganhar, ou, perder. É dar espaço num coração que mesmo incrédulo, ainda é capaz de sofrer e o pior de tudo, de se culpar depois por isso.

— Rafael Amorim.
1/05/2012 @ 14:45

1/05/2012 @ 14:41

Mas eu aprendi a deixar as coisas passarem. Prometi pra mim mesmo que agora, de onde estou, eu apenas deixaria que isso acontecesse. Não impediria o ritmo da vida. Aproveitaria o conseguisse, e esqueceria aquilo que por algum motivo, não era pra ser. Eu confesso que às vezes é tentador ver aquilo que queremos, que de alguma forma, nos atrai, e deixar que passe. É tentador desejar reviver coisas. Reencontrar amigos, amores, sentimentos. Mas, sabe, não estou pronto. Riscos continuam sendo decorrentes de permissões, e eu não posso mais cedê-las. Amei demais, desejei demais, pensei demais. E hoje, o demais, se tornou perigoso. Não pelo que pode vir, mas principalmente, pelo que pode ficar.

— Rafael Amorim.
1/05/2012 @ 14:40

É aterrorizante achar que devemos cumprir um destino traçado. Acharmos que nascemos para conhecer determinadas pessoas, para abdicar de coisas que por algum motivo não deram certo, ou até mesmo, pra terminar nossas vidas de uma maneira ou de outra. Imagine só, se você for o outro pedaço da laranja… E se não acontecer? E se acabar por alguma incompatibilidade ou erro? É sua banda que não está encaixando, ou é porque a laranja premiada não é essa? Me diz, vamos viver em busca dessa laranja pra sempre? Ah, sem essa. Você não dobrou a esquina da padaria por destino, no mínimo, era fome. O que eu quero dizer é que o que você faz, continua sendo responsabilidade sua. Os seus atos, calculados ou não, são seus. Coitado do destino por todo erro que cometeu, por todo buraco que esqueceu de te avisar, por toda pessoa que te fez sofrer. É você. Isso aí, você mesmo. Não se conforme, volte atrás. Questione, argumente, brigue. Só não deixe que esse “destino” que você idealizou pra ser a sombra de suas atitudes de alguma maneira, danifique aquilo que de fato, poderia ser seu. Des, ti, no. Três sílabas, no máximo. E só.

29/04/2012 @ 9:44

Eu não sei, mas às vezes nos acho extremamente idiotas em insistir naquilo que sabemos que não vai levar a nada. Não que ter esperança seja proibido, mas que um pouco de realismo não é nada demais. Estamos tão focados em mudar o rumo das coisas que esquecemos que algumas coisas precisam acontecer, ou, não acontecer. Tanta coisa que não leva a nada, tanto tempo que se perde fácil, tanta gente que diariamente insiste em conquistar um impossível ilusório. Talvez esteja faltando isso, um pouco de realidade, pra notar que aquilo que começa ruim, tem boas chances, de terminar da mesma forma.

— Rafael Amorim.
29/04/2012 @ 9:38

Eu não tive medo de sentir. Só de ceder. Porque a gente sabe que é isso que o amor faz, imobiliza, e quando você percebe, fica difícil de recompensar o atraso da vida. Vida que para pra sustentar desejos quase suicidas. Você acha isso justo? Pois bem, eu não. Não posso me sacrificar pelo incerto, enquanto o certo mesmo está nas minhas mãos. Não posso confiar em suposições e muito menos me equilibrar em dúvidas. Não é assim que funciona, você sabe, essas coisas do coração. Você começa se achando forte, capaz de superar tudo, de saltar muralhas, de gritar pro mundo palavras de amor. E acaba se surpreendendo fraco, mais do que imaginava. Porque é isso. Na verdade “é nisso”. O amor não só te torna capaz, como também, vulnerável.

— Rafael Amorim.
29/04/2012 @ 9:35

Tem tanta gente idiota por aí. Isso aí, idiota, ao ponto de achar que só vai ser alguém, se for alguém que a sociedade ache bonitinho, agradável, aceitável. Danem-se essas pessoas que separam os “normais” dos “estranhos”. E danem-se esses “estranhos” que querem ser “normais” também. Tá faltando argumento, cabeça, inteligência. Ninguém consegue enganar por muito tempo, assim como, ninguém consegue deixar de ver o óbvio. E o óbvio é tão forçado, superficial que seja a incomodar. Tá tudo invertido nessa bagunça. Ator de novela no cotidiano, atuações baratas em público, adequação à normas que sequer, existem. E eu que pensava que cegueira era doença, nem notei que hoje em dia, é defeito. Ou pelo menos, aparenta ser.

29/04/2012 @ 8:56


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